Depois da eleição, uma ideia começou a circular nas redes: igrejas deveriam rever a ajuda que dão, como cestas básicas e roupas, a quem votou em determinado candidato. A reação foi grande, inclusive entre evangélicos. E, no fundo, a discussão traz de volta uma pergunta que fizeram a Jesus há dois mil anos: quem é o meu próximo?
A pergunta que fizeram a Jesus
Um especialista na Lei perguntou a Jesus o que fazer para herdar a vida eterna. Jesus devolveu a pergunta, e o homem respondeu com o resumo da Lei: amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a si mesmo. Jesus disse que ele tinha respondido bem. Mas o homem, “querendo justificar-se”, insistiu: “Quem é o meu próximo?” (Lucas 10:25-29).
Era uma pergunta para limitar o amor. Se eu souber quem é o meu próximo, também fico sabendo quem não é, e a quem não devo nada.
A resposta de Jesus: o bom samaritano
Jesus contou a história de um homem assaltado e deixado quase morto na estrada. Um sacerdote passou e desviou. Um levita passou e desviou. Quem parou foi um samaritano (Lucas 10:30-35).
O detalhe faz toda a diferença: judeus e samaritanos eram inimigos. Discordavam sobre religião, sobre onde adorar e sobre quem era o verdadeiro povo de Deus. O evangelho de João resume: “os judeus não se dão com os samaritanos” (João 4:9). Mesmo assim, o samaritano não perguntou de que lado aquele homem estava. Ele viu a necessidade e cuidou.
Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.
Lucas 10:36-37
Jesus virou a pergunta do avesso. A questão não é “quem merece a minha ajuda?”, e sim “de quem eu vou me aproximar?”.
Jesus ajudava quem pensava diferente dele
Os evangelhos mostram Jesus cuidando de gente de todos os lados da sociedade do seu tempo:
- O centurião romano. Roma ocupava Israel, e mesmo assim Jesus curou o servo de um oficial do exército romano e elogiou a fé dele (Mateus 8:5-13).
- Zaqueu. Chefe dos cobradores de impostos, visto como traidor por trabalhar para Roma. Jesus foi jantar na casa dele (Lucas 19:1-10).
- Os próprios discípulos. No mesmo grupo estavam Mateus, um ex-cobrador de impostos, e Simão, chamado de zelote, nome de um movimento que lutava contra Roma (Lucas 6:15). Lados opostos da política da época, sentados à mesma mesa.
Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.
Mateus 5:44-45
Ajuda com condição deixa de ser caridade
Quando o pão passa a depender de uma escolha política, ele deixa de ser amor e vira moeda de troca. O voto é livre e secreto, e a fome não tem partido.
A Bíblia até fala de prioridade no cuidado: “façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gálatas 6:10). Mas repare no começo da frase: o bem é para todos. E o critério do “principalmente” é a fé, e não o voto.
Paulo vai além: mesmo que alguém distribua todos os seus bens aos pobres, se não tiver amor, “nada disso me aproveitará” (1 Coríntios 13:3). O que Deus olha é o coração de quem ajuda.
Quando a política divide a igreja e a família
Eleições acabam, mas as feridas que elas abrem podem durar muito tempo. Irmãos que deixaram de se falar, grupos de família em silêncio, gente que saiu da igreja depois de ouvir um comentário. A Bíblia pede um esforço ativo pela paz: “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:3).
- Não trate um irmão como inimigo por causa do voto. Ele continua sendo seu irmão em Cristo.
- Converse sem humilhar. É possível discordar com respeito e sem ironia.
- Ore pela pessoa de quem você discorda. É difícil continuar com raiva de quem você leva a Deus em oração.
- Lembre o que salva. Nenhum voto salva ou condena ninguém. A salvação vem só de Cristo.
- Busque a paz até onde depender de você. “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18).
Perguntas para refletir
- Existe alguém que eu deixei de ajudar ou de tratar bem por causa da política?
- Eu consigo ver um irmão em Cristo em quem votou diferente de mim?
- Quem é a pessoa caída na estrada perto de mim, nesta semana?
Quem é o meu próximo? Pela resposta de Jesus, é todo aquele de quem eu posso me aproximar com misericórdia. Sem perguntar em quem votou.
Venha servir com a gente
Na Igreja do Evangelho Pleno em Cristo, o Projeto IDE leva alimento, agasalho e a Palavra a quem está em situação de rua. Se você quer ser o próximo de alguém, a igreja tem lugar para você.
A sede fica na Av. Mutinga, 1509, em Pirituba, e são 19 congregações em São Paulo e Minas Gerais. Veja a mais perto de você ou fale com um pastor pelo WhatsApp (11) 99657-1225.
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Perguntas frequentes
Quem é o meu próximo, segundo a Bíblia?
Na parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-37), Jesus ensina que o próximo é todo aquele de quem nos aproximamos com misericórdia, inclusive quem pensa diferente de nós ou é visto como inimigo.
A igreja pode escolher a quem ajudar?
A Bíblia manda fazer o bem a todos (Gálatas 6:10). Uma igreja pode organizar prioridades, mas condicionar ajuda a voto ou a posição política contraria o ensino de Jesus sobre o próximo.
O que significa a parábola do bom samaritano?
Um homem foi assaltado e deixado na estrada. Um sacerdote e um levita passaram direto, e quem cuidou dele foi um samaritano, de um povo inimigo dos judeus. Jesus termina dizendo: “Vai e procede tu de igual modo”.
Como conviver na igreja com quem votou diferente?
Tratando o outro como irmão, conversando com respeito, orando por ele e buscando a paz, como pede Romanos 12:18. Nenhum voto salva ou condena ninguém.
A Igreja Pleno em Cristo diz em quem votar?
Não. A IEPC não indica candidato nem partido. O papel da igreja é ensinar a Palavra para que cada pessoa decida com consciência, em oração.
